A proposta, de autoria do deputado estadual Severo Eulálio (MDB), ressalta que a ave é um patrimônio natural que precisa ser preservado. O principal objetivo da medida é justamente fortalecer as políticas de proteção ambiental e conscientizar a população sobre a necessidade de cuidar da biodiversidade local .
Uma história de resistência e redescoberta
O Pica-pau-do-Parnaíba carrega uma história fascinante. Entre 1936 e 2006, a espécie foi considerada possivelmente extinta — foram quase oito décadas sem nenhum registro de observação no Brasil. O "reaparecimento" aconteceu em 2006, no vizinho estado do Tocantins, num daqueles raros momentos que animam a comunidade científica e os amantes da natureza .
No Piauí, os primeiros registros após o longo hiato ocorreram em 2020, no município de José de Freitas. Desde então, a ave também foi avistada em Campo Largo do Piauí (2023) e em União (2026) .
Atualmente, a espécie é classificada como vulnerável pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e também pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), o que indica um risco elevado de extinção .
Habitat ameaçado e nome em debate
O principal lar do Pica-pau-do-Parnaíba é o Cerrado, bioma que sofre com o avanço do desmatamento para plantio de soja e formação de pastagens. A ave tem uma relação especial com a taboca, um tipo de bambu essencial para sua alimentação e sobrevivência — por isso, muitos pesquisadores e ambientalistas defendem o nome popular "pica-pau-da-taboca" .
Apesar da controvérsia científica, o nome Pica-pau-do-Parnaíba foi o escolhido pela lei, numa homenagem direta ao Rio Parnaíba, um dos símbolos naturais mais importantes do estado.
Reconhecimento para as futuras gerações
Ao justificar a proposta, o deputado Severo Eulálio destacou que a oficialização representa mais que um símbolo: é um compromisso com a preservação de um patrimônio natural para as próximas gerações. A lei, que entrou em vigor imediatamente após sua publicação, também abre caminho para ações concretas de conservação e turismo ecológico no estado.
Para quem deseja conhecer mais sobre a espécie ou até mesmo tentar avistá-la, as cidades de José de Freitas, Campo Largo do Piauí e União são os destinos mais promissores — sempre com o devido respeito à natureza e à legislação ambiental.
Fontes: Cidade Verde | G1 Piauí | G1 Campinas
Crédito da foto: Reprodução / Aninha Delboni (imagem principal); Lauro César Feitosa (G1)
