Sabor que é patrimônio: A rosca piauiense pode ganhar título oficial de tradição imaterial do estado

Quem é do Piauí sabe: não tem café da manhã ou lanche da tarde mais completo do que aquele acompanhado por uma fatia de bolo de goma — ou "rosca", como muitos carinhosamente a chamam. Agora, essa paixão nacional dos piauienses pode ser reconhecida oficialmente como Patrimônio Cultural e Gastronômico Imaterial do Estado.

Não é de hoje que o cheirinho da rosca assando invade as cozinhas e encanta os paladares. Crocante por fora, macia por dentro, a iguaria é presença garantida em mesas de família, padarias e até em academias — tamanho é seu sucesso. E foi justamente para garantir que essa herança doce (e salgada, que fique claro!) seja preservada para as próximas gerações que o Sindicato da Indústria da Panificação e Confeitaria do Piauí (Sindpan) protocolou o pedido de reconhecimento.

A história da rosca se confunde com a história das famílias piauienses. Não à toa, quem a prova, logo se lembra da infância, do carinho das avós e daquele modo de preparo que parece ter um toque especial. Em cidades como Picos, a tradição já movimenta negócios há mais de quatro décadas.

A empresária Rosa Dantas, que mantém viva essa chama, conta que o segredo do sucesso está na qualidade da matéria-prima. "A receita é a nossa base. A goma precisa ser de primeira, os ovos fresquinhos e o leite, puro. Como temos nossa própria vacaria, conseguimos manter esse padrão", explica ela, que oferece variações como a rosca tradicional, a de queijo e a de erva-doce.

Mas o que faz a rosca do Piauí ser tão especial? A professora de culinária Rayla Estephanne explica que, embora existam preparos parecidos em outros cantos do Brasil, o método tradicional piauiense é único e carrega uma identidade que merece ser protegida. "É, sem dúvida, um símbolo da nossa gastronomia. A forma de fazer, passada de geração em geração, é o que a torna tão autêntica", destaca.

Para quem aprecia a iguaria, o hábito vai além do paladar. A profissional de educação física Patrícia Ribeiro, por exemplo, já incorporou a rosca à sua rotina e à de seus alunos. "Sempre compro para tomar café e também levo para os meus estagiários e amigos. É uma tradição que todo mundo gosta e que eu faço questão de manter", conta.

O presidente do Sindpan, Clerton Soares, revela que a busca pelo título veio após uma pesquisa que mostrou a singularidade do produto. "Nos estados vizinhos, ele praticamente não é encontrado. E, quando aparece, é chamado de 'Bolo Piauí'. Queremos resguardar essa história, o modo de fazer e manter viva a memória afetiva que atravessa gerações", afirma.

Caso aprovado, o bolo de goma entrará para a lista de bens culturais imateriais do Piauí, um passo importante para garantir que essa delícia continue sendo, oficialmente, um pedaço da alma e da mesa do piauiense.



Fonte: Cidade Verde (com informações de Izabella Lima e Beatriz Viana).
Crédito da imagem: Reprodução / YouTube.


Via Piauí

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